quinta-feira, 27 de agosto de 2009

XIXI em praça pública???

Tive a ideia de escrever sobre xixi por conta de um comportamento deplorável que o carioca tem de fazer xixi na rua. Isso mesmo, à luz do dia, quando julga necessário: põe o dito cujo pra fora e urina como um cachorrinho descompromissado com o ambiente social em que vive.

Já há uma campanha em curso no Rio de Janeiro, jornais apóiam a iniciativa da Prefeitura de punir os mijões, mas como carioca é abusado, as chances de sucesso dessa campanha são remotíssimas, a não ser que se bula pra valer no bolso. Para os desavisados, bulir no bolso significa, no caso, aplicar pesadas multas em cima de todos aqueles que tiram a água dos joelhos em praça pública, mijões que pouco caso fazem da presença de crianças ou velhinhas pudicas como eu. Eh, não sou assim tão velhinha, né? Menos ainda pudica. Mas independente de qualquer coisa, penso ser de bom tom não urinar na presença alheia, ainda mais em pleno espaço público.

Querem saber? Já que o assunto é XIXI, preciso confessar uma coisa. Talvez este meu mau humor hoje contra os cariocas se dê por conta de um trauma que nunca pude superar, e que foi rememorado hoje. Não quero constranger ninguém, mas vou aproveitar a oportunidade pra dividir com o seleto grupo de leitores mais essa.

Eu queria ter nascido homem (e isso NADA tem a ver com minha opção heterossexual totalmente convicta). Eu só andava com meninos, brincava de futebol, pipa, bola de gude, enquanto as menininhas alisavam os cabelos de suas bonecas. Mais que isso, eu ajudava meu irmão a arrebentar toda boneca que eu ganhava de presente, como que numa revolta contra as Barbies, já naquela época. Lembro que uma vez eu ganhei uma bonequinha-bebê que fazia xixi. Mijava o dia todo, a infeliz. E eu a trocar a porra da fralda da excomungada, até o dia em que afoguei a danada na privada, acho que era pra ela ter uma ideia do que era se embeber no xixi, sei lá. Criança é cruel.

A vontade de ser menino parecia tão dominante que, ainda pequeninha, eu insistia com a minha mãe pra comprar um pinto pra mim, pois eu queria fazer xixi em pé. Sempre MORRI de inveja disso. E de muitas outras coisas do universo masculino.

Bom, cresci. E estou feliz hoje com minha condição "Xis-Xis". Não, não é xixi no plural, não. É “XX”, a condição genética feminina, o fenótipo, ou seja lá como isso se denomine cientificamente. Estou certa de que eu não seria um bom espécime "XY". Só não entendo porque ainda não me surgiu o tal do instinto materno, já que completei quarenta primaveras este ano e continuo sem o desejo alucinado que toda mulher tem de alguém lhe chamar de “mãe”.

Mas eu dizia sobre a minha inveja de possuir um pinto. Depois de diversas tentativas frustradas, até arrumei um bom exemplar, digo que me pertence, mas no fundo, no fundo, sei que é do meu marido mesmo.

Outra campanha interessante sobre xixi é a da economia de água. Não conhece? Procure no google: xixinobanho.org.br Tudo o que sua mãe dizia sobre fazer xixi dentro do boxe está agora fora de moda, totalmente careta. A recomendação ecologicamente correta hoje é mijar no boxe, quero dizer, no chão, ao entrar no banho. Advinha? Minha chance de mijar em pé, né? Adorei essa campanha... Viva à economia de água da descarga da privada!

Voltando à campanha contra o xixi em praça pública: mais do que multa, a punição para quem faz da rua urinol deveria ser a perda do bigulin.

Alessandra Pinho – Agosto de 2009

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

TÁ AMARRADO!!!

Tá amarrado!

Tinha uma tia que era crente. Sim, daquelas convictas e radicais. Viúva e de luto desde que me entendo por gente, ai de quem falasse de sexo perto dela, ou de futebol, bebida, política, televisão, macumba... tudo era coisa do diabo. E tome-lhe discurso de salvação! Pra todo mundo era a mesma ladainha. Se alguém interrompesse, ela começava do zero, dizia tudinho de novo, afinal, aquilo tudo era decorado mesmo, sabia lá o que significava? Sempre que alguém arriscava um palpite pro FLA x FLU de domingo, ela esbravejava, com aquele sotaque nordestino bem carregado: “tá amarrado em nome de Jesus!”

O dinheirinho que minha tia juntava era destinado à igreja. Era o tal do dízimo. O pastor dizia que era o pedágio pra ir pro céu. Para quem criticava, argumentando que prejudicava o sustento da família, ela desferia na lata: “Tá repreendido em nome de Jesus! O sinhô pode deixar quieto que Deus provê! Po’ dexar!” E assim ia alimentando e sustentando a causa do Senhor. E a sua própria causa.

Certa vez, num fevereiro tipicamente carioca, vestida de preto, saia até o meio das canelas, blusa de mangas compridas, bíblia embaixo do braço, uma quentura do cão, minha tia esperava a condução para voltar para casa depois de uma campanha de orações em sua igreja contra a festa pagã. Um carnavalesco desgarrado de seu bloco, a essa altura sem qualquer noção dos bons costumes, pensou encontrar ali um bom motivo para encerrar a farra do dia. Decidiu achincalhar com a velha.

Com a voz embolada, começou, apontando para minha tia:
- Ééé... fffaaan...tasia de ca...aar...naval, é? ! – E dava uma risadinha cínica, vez em quando repetindo a frase debochada.
Como fizesse não era com ela, o maluco resolveu partir pra pirraça mais direta. Apontou para a mulher e, cambaleando, disparou:

- Êiiiiita, vai sair no broco! Vai no “Rola Preguiçosa”!
Ao que a velha, sem conseguir se conter, rebate:
- O sinhô largue de osadia, que eu num lhe conheço!
- Vooo...cê sabe como é que eu vou aí, véia? Eu vou “Cutucano atráááás”
Silêncio...
E o bebum seguia usando tudo que era nome de bloco carnavalesco carioca que lhe vinha à cabeça:
- Aí tia, “Chupa, mas não baba”!
- É bom o sinhô procurar o seu lugar!
- Iiihh! “Que merda é essa” véia? “Se não quer me dar me empresta”!
- O sinhô se respeite, seu descarado! Vou lhe meter a mão na cara e vou chamar a polícia!
- “Quem num guenta bebe água”! Vamo se embriagar no“Suvaco do Cristo”...

Era demais, o nome do Senhor em vão...

- Já sei, vestida assim, a senhora é a mulher do cramulhão!
Aí extrapolou. A velha deu dois pulos e três gritos, saltando em cima do miserável com uma cruz de metal e acertando-lhe a testa, determinou aos berros:

- “TÁ AMARRAAAAADO EM NOME DE JESUUUS”!! “SAAAAI! SAAAIIII DESSE CORPO QUE NÃO TE PERTENCE!” “QUEIIIIIIIMAAA!”

Pronto! Estabelecido o quiproquó. Pití no ponto de ônibus, a turma do deixa-disso tentava separar, mas a velha estava grudada, agarrada no pescoço do bêbado como que possuída. O homem, coitado, esticado pra lá e pra cá, cambaleante, acabou se estabacando no chão com a velha em cima, toda descabelada e com as pernas abertas. Ninguém sequer prestou atenção na calçola da velha... De modo trágico, com a queda, o homem arrebentara a nuca no meio-fio. Silêncio no ponto de ônibus, e o sangue se espraiando pela calçada... E agora? Não tem um médico no ponto, ninguém quer fazer boca-a-boca no bebum... “Chamem os Bombeiros!” – alguém grita.

Depois de 10 minutos chega a Defesa Civil e constata a morte do infeliz. Nada mais há de se fazer. “O pior é que não teve tempo de aceitar Jesus para ser salvo”! – dizia minha tia, ao entrar no carro da polícia pra ir “prestar esclarecimentos” na Delegacia. Já cansada depois da cerimônia Expulsa-Exú em praça pública, nem percebeu uma discussão paralela sobre futebol que acontecia ali mesmo, naquele fatídico dia, no malsinado ponto de ônibus:
- “Cala a boca, rapaz, o Vasco vai ser campeão esse ano ainda!”
Né por nada não, mas por via das dúvidas... TÁ AMARRADO!

Alessandra Gondim - 10 de julho de 2009

terça-feira, 18 de agosto de 2009

NOMES ESDRÚXULOS

Nomes Esdrúxulos

Uma das coisas que me intriga nessa vida é por que alguns pais decidem colocar nomes tão esquisitos nas suas crianças. Tá certo, muitas vezes não queriam o filho. Mas precisava vingar sua raiva no nome do rebento? Pode ver, é cada maluquice... Combinações de dois ou três nomes que resultam quase em xingamento, traduções mal feitas de nomes estrangeiros, ou até mesmo combinações com conotação sexual. Todo tipo de mau gosto existe por aí.

Claro que nem sempre é culpa dos pais. Às vezes é nome de família. Mesmo assim, com jeitinho, dá pra salvar o destino do pequerrucho. Se o pai chama Miguel Batista do Rego e a mãe Flavia Santos Branco, há muitas opções além de “Katrina do Rego Branco”. Sim, existe uma menina registrada com este nome. Só troquei os pré-nomes dos pais por motivos éticos. E de misericórdia. Dizem que tem uma irmã gêmea, a Latrina. É mole?

Conheço um urologista que se chama Jonas Pinto Bravo. Imagina um sujeito machão indo pela primeira vez fazer exame de próstata... Alguém recomendou o Doutor Jonas e o sujeito vai lá. Muda de ideia antes mesmo de preencher o formulário com a secretária. Aliás, médico costuma ter nome estranho. Um proctologista amigo meu se chama José Ruela. Bem sugestivo.

Ainda bem que a lei agora proíbe o sujeito de registrar um filho com nome vexatório. Se não dá pra se safar do nome de família, pelo menos poupa o infeliz de um pré-nome vergonhoso.

Tenho uma grande amiga que frequenta o consultório de um ginecologista que se chama Rolando Picca. Frequenta no bom sentido, eu quis dizer que ela é paciente dele. Fazer o que? É o nome de família do sujeito. Enquanto ginecologista, qualquer um preferiria ser Picca do que Pinto Brochado, só para dar um exemplo do quanto poderia ser pior. E que ninguém imagine que Pinto Brochado é nome fictício, trata-se de sobrenome de um senhor, já falecido, que conheci no interior da Bahia, registrado no Cartório de uma prima da minha avó.

Aliás, ô lugar pra ter nome esquisito o interior da Bahia, só lá nesse tal Cartório estão registrados mais de uma centena deles. Alguns eu cheguei a conhecer pessoalmente! É por isso que eu digo: ninguém imagine que Jacinto Leite Aquino Rego, Jacinto Pinto Durão, Xerox Fotocópia Autenticada e Um Dois Três de Oliveira Quatro são os nomes mais estranhos de que se tem registro neste país. São apenas os mais famosos. Existem piores. Prefiro omitir os mais escandalosos e assim mantenho a moral com idosos, crianças e carolas.

Mas... como quem não tem o que fazer procura, já que eu estava de férias na Bahia, decidi fazer uma pesquisinha sobre o assunto, e acabei descobrindo algumas “pérolas”, a saber:

Ábias Corpus da Silva

Carolina Barbuda (Imagine uma menininha toda bonitinha, de vestidinho, bem barbudinha)...

Faraó do Egito Souza (resgataram a Antiguidade através do nome do rebento)...

Graciosa Rodela (é melhor não comentar essa, né)?

Hericlépiton da Silva ... (bom demais)!!!

João Cólica – (reza a lenda que o pai teve dor de barriga na hora em que o menino nasceu)

João Cara de José (esse é o melhor)!

Joaquim Pinto Molhadinho (que bom, né)? Já que era pra chutar o pau da barraca, eu acrescentaria o “Durão” antes do último nome...

José Catarrinho (eeeca)!

Juana Mula (Juana com “u” mesmo; dizem que a irmã se chama Joanégua e o irmão, Juca Valinho)

Júlio Setembro Outubro d’Agostinho – pelo menos dá pra chamar de Júlio

Roskinha da Hora (essa deve ser parente da Graciosa Rodela)

Usnavy de Almeida Santos (em homenagem à Marinha Americana – U.S.Navy)

Valdísnei Fontes (que bela homenagem a Walt Disney)
Zélia Maria Diabinho

Pesquisa encerrada, já que vale tudo, fiquei pensando em trazer nomes para os atuais Presidentes do Senado e da República, mas desisti. A combinação mais apropriada que elaborei é absolutamente impublicável.

Alessandra Pinho - Agosto de 2009

CONVITE INAUGURAÇÃO

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