Dia desses me liga a Glaucia, de São Paulo. Uma amiga recente. Daquelas que a amiga da melhor amiga te apresenta, sabe? Queria me contar sobre o último “pé na bunda”. Também pudera, o modus operandi da moça, no caso, foi um tanto além do aceitável, mesmo para a era pós-pílula.
Dá pra acreditar que existe a modalidade de “dar” a domicílio? Não, pelo amor de Deus, minha amiga não é puta, embora não tenha eu nenhum preconceito com quem ganha o pão exercendo a profissão mais antiga do mundo.
Explico: imagine um sujeito de 40 anos, morando com a mãe, namorando uma gatinha de 20. Pois é. Foi para esse tipo de sujeito que minha amiga meteu na cabeça que queria dar. Veja se tem cabimento. O cara não podia aparecer em público com ela. Em casa, tinha de escondê-la da mãe dele. Então, a cada dois ou três dias, ele esperava a velha dormir e telefonava pra Glaucia, que se lançava na pista, rumo à paulicéia desvairada. Saca a região metropolitana de São Paulo? É numa dessas cidades que ela mora. Não me sinto no direito de contar o que rolava, mas garanto que tem coisa de arrepiar “pelo” de pato.
Bem. Depois de váaaarias entregas a domicílio, a Glaucia botou o sujeito na parede: queria poder sair, dormir junto, e ACORDAR com o cidadão. Já invadia as raias da humilhação ter de sair às cinco da manhã com as calças na mão, como ela vinha fazendo. Esperou uma atitude do infeliz, que não veio, claro.
Então ela disse, num tom entre tristeza e desolação, que estava entrando no desespero por causa do seu prazo de validade, que estava assim... meio que vencendo. Sempre quis ter a própria família, era sonho de vida, blá-blá-blá...
Mandei, na lata: a única coisa que pode conseguir manter um sujeito a fim de você é a autoestima nas alturas. E nunca seja azeda. Homem o-d-e-i-a mulher azeda. “Use os limões do seu humor para fazer uma caipirinha, e bem docinha, de preferência! Mas não se esqueça do gelo, o ingrediente mais importante. Diga que vai ligar e não ligue. Diga que vai sair com ele e suma”! Essa tática é velhíssima, sei, mas dá certo que é uma beleza... E... olha, quem sabe dosar o gelo e o açúcar se dá ainda melhor...
Ela agradeceu milhões, e disse que viria ao Rio me visitar para “um Intensivão”. Feitas as despedidas de costume, desliguei. Fiquei pensando na Glaucia... Uma mulher inteligente, papo bacana, bonita normal...
Dias depois ela me telefona:
- Menina, você não vai acreditar, ainda bem que desencanei daquele filho da puta...
- Ah, é? Por que?
- Porque assim eu pude dar oportunidade a outra pessoa que já tava investindo em mim faz tempo... Tô indo com ele para Paris!
- Uau! Show, hein? Quem é o cara?
- Caraca, amiga, ele é um deus grego, muito legal... e o mais importante: quer algo realmente sério.
- Jura? Que bom! Ele declarou isso pra vc?
- Na verdade não, mas... olha, vou falar logo: tô saindo com meu Chefe, ele está praticamente separado da esposa e...
Esse “PRATICAMENTE separado” eu conheço há uns vinte Natais.
Por um momento, lembrei dos meus compromissos pendentes, tinha uma reunião às duas horas, manicure às quinze, spinning às dezoito... Então percebi que a Glaucia falava sem parar...
- Entendeu, amiga?
- Hã... Ah, sim, claro... Achei melhor não questionar. Há coisas que eu nunca vou compreender mesmo. Mas desliguei com a sensação de que, do jeito que a coisa vai, qualquer dia ainda vão criar um “disque-qualquer-coisa”, e o produto a ser entregue a domicílio poderá ser algo bastante inusitado... um troço mais ou menos assim: “a senhora me vê aí 200 gramas de ...” Bom... deixa pra lá.
Alessandra Gondim Pinho – Agosto de 2009
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